Porque censuram o Saci Urbano?

Sintomaticamente apagam-se diversos graffiti com marcações de aparições do Saci Urbano pela Grande São Paulo e capital. Seja para a manutenção da palidez das cidades e/ou pior: para censurar os comentários visuais que a obra imprime nos muros.

A obra já foi apagada diversas vezes por causa de representação gráfica do cachimbo do saci, por causa da representação gráfica de figura monopé; por causa da cor (preto fosco) e até por fanatismo religioso ou ignorância cultural de pessoas reacionárias.

 

 

No entanto, a obra jamais havia sido apagada por questões políticas.

 

Ficou claro que um trabalho coberto com tinta dessa maneira é para calar o comentário visual da obra, seja para censurar o seu conteúdo, até então implícito na poesia da imagem. E o que é mais grave: é um atentado contra a liberdade de expressão.

 

 

 

 

Avançar sempre e jamais retroceder!

[Golpe]aram o povo.

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Continuam golpe-ando…

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Até o povo ficar zonzo.

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Mas o povo está recobrando a consciência

E quando o povo se levantar, não haverá lugar nem mesmo para a queda daqueles que o golpearam.

Porque o povo é gigante – desde que os povos estejam unidos, justapostos em uma só perna.

Porque enquanto o povo renegar a sua identidade Saci, jamais deixará de ser oprimido e subserviente de seus opressores.

Portanto:

Avançar sempre e jamais retroceder!

Avançar sempre e jamais retroceder!

Autoestima!

Uma sugestão: a autogestão!
Porque o falo branco não falará mais por ninguém;

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O falho sistema de representação não vai mais condicionar a massa;
E logo a autoestima de um povo não será mais subestimada.

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A afirmação da identidade cultural deste mesmo povo intimidará qualquer tentativa de desapropriação
Por parte de qualquer oligarquia a serviço de monarquias do chá da tarde, da pontualidade e dos bons modos nórdicos da lógica capitalista operante.

A educação segue opressora e violenta; mas a brincadeira da criança efetivará o desenvolvimento para o bem viver de uma só comunidade;

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E O respeito mutuo será a moeda de troca para a riqueza da convivência, com a consciência de que
O nivelamento da pobreza é a receita de paz;

Esse Saci

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Esse Saci surgiu de um brasil.

Do brasil deixado pelos exploradores que vieram atrás do pau vermelho.

Fizeram grande fogueira.

Deixaram a madeira queimando…

Escureceu. Virou brasa.  Virou carvão.  Virou carvão e brasa ao mesmo tempo.

E os tons de vermelhos – sob Lua -, incandesciam a grande mata verde.

Fechada. Desvirginada.

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Passado algum tempo, os paus incandescentes traziam consigo vozes do além.

Vozes e gemidos do sofrimento de uma gente. Gente pura, inocente, quase inconsciente.

De uma gente brincalhona – sem vergonha.

E de outra gente trazida de longe, tirada das entranhas de outra terra Mãe.

Gente terrestre, que viaja pelo cosmo em busca de sabedoria, para não lhe faltar a nobreza de ver, ler e compreender a legislação da natureza.

Gente que se mata e que se come. Que guerreia por crer no invisível..

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As cores desse Saci são as vermelhas, as pretas e as brancas.

Esse Saci é imaterial, porque aglutina os espíritos desses povos coloridos na leveza do vento.

Esse Saci manifesta seus espíritos ancestrais na forma visual de apenas um pé, para justapor o equilíbrio absoluto de diferentes gentes, gerando assim a sabedoria cósmica de que os homens-2000 tanto precisam – antes que se tornem máquinas por inteiro.

È O . . .

Não vai nevar no Natal

V E R Ã O   C O M   C A L O R   Q U E   A Q U I   N Ã O   V A I   N E V A R.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a presença de pinheiros em terra de embaúbas, não possui identidade cultural, digna da sua terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a ideia de papais noéus, renas e trenós, saírem de terras frias para se aquecerem em terras tropicais, sofrerá em depressão após decepção.

Verão com calor que a sociedade-capital atende pela cultura de massa, de natureza do consumismo, para o “bem viver” à sua maneira.

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Verão com calor que a sociedade-capital, por não manter uma identidade cultural de proveniência primitiva, religiosa, tradicional, ou ideológica, extrapola os limites do bom senso e da lógica natural das condições geográficas de uma grande terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital apenas age por estímulos comerciais e obedece ao movimento do consumo inconsciente, e a família dos homens-2000 se une para trocar produtos entre si.

Verão com calor que após o culto de natal haverá a ressaca.

Verão com calor que a neve virtual e imaginária de alguns dias atrás já não existe mais nessa terra-local.
Verão que é proibido nevar em terra tropical.

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Verão com calor que as classes da sociedade-capital se posicionaram,
cada qual em seu lugar, sob condição estabelecida pelo capitalismo vigente.

Verão com calor que a classe abastada da sociedade-capital ficará no usufruto exclusivo das reservas naturais dessa grande terra-mar-local.

Verão com calor que a classe dos trabalhadores da sociedade-capital ficará aglomerada aos mesmos locais acessíveis às suas condições econômicas.

Verão que no próximo verão não vai nevar nessa terra-local. Pelo menos não naturalmente.