Eu vi um Saci e fiquei triste

aparição do Saci Pererê

foto: Iderê da Silva

Pude registrar a aparição desse Saci que agora podemos visualizar na foto acima. O causo se deu na noite de sábado, no dia 31 de outubro –  data em que São Luis do Paraitinga e outras cidades estavam festejando o dia desse perneta atrevido (adj.1.Aurélio).

Na hora eu fiquei muito feliz de ter presenciado sua aparição. Foi como se eu estivesse voltado para o meu tempo de criança de quando eu tinha meus 10 anos de idade. Tenho que admitir: fiquei muito empolgado e eufórico naquele instante; mas passado alguns minutos voltei a ser adulto e enxergar as coisas além do que me é mostrado, e pude reparar que aquele saci não passava de uma pessoa com apenas uma das pernas, que provavelmente passara muitas dificuldades em sua vida no aspecto social.

Quando eu me aproximei para conferir, fiquei triste ao ver que a feição do negrinho perneta soava sofrimento. A impressão que tive foi de que ele fora capturado pelo homem que ali estava próximo e que parecia ser seu guardião, mas senti que este homem era o seu explorador, que ganhava dinheiro levando o saci onde as pessoas queriam vê-lo, e quando não havia aparição em público ele judiava do pobre perneta.

Enquanto todos vibravam e achavam um máximo a presença daquele menino-velho, eu ficava me pegando em pensamentos –  como será a vida desse saci na sociedade moderna em que vivemos? Onde será que ele está vivendo? Será este, o verdadeiro Saci Urbano? Porque ele me parece tão maltratado?

Fiquei decepcionado com tudo aquilo, pensei que quando eu me aproximasse desse saci (vide foto) ele aprontaria alguma comigo: no mínimo fazia uma piada com o que eu iria lhe dizer, ou faria alguma brincadeira típica de saci mesmo. Mas quando minha aproximação foi a contento nada do que eu esperava aconteceu e sim aquele olhar deprimido, daquele saci que tanto me intrigou.

É o Saci Urbano!

 Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci? 

Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griô brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, e agora, também será referente ao meio urbano,  por todos os sobreviventes dessa selva de pedras, na qual, aqui, a chamamos de “Urbanidade”. 

Saci urbano em SBC_01 

 Urbanidade”

 

O concreto no lugar da terra  
O prédio no lugar da árvore
O lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos 
Escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul 
Junto, o aglomerado de pessoas
Provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência 
Primeiro, pelos homens de colarinho
Segundo, pelos homens armados 
E depois, pelos homens ignorantes 
Todos, porém, inscientes do seu estado ordinário
Aprendizes do mau trato à vida.
Orgulhosos da própria insanidade
Felizes, por serem infelizes.
 
Isso tudo é a “Urbanidade”
Onde nos localizamos e constantemente reclamamos.
Mas enquanto a nossa juventude
Não abriremos mão dessa Urbanidade
Pois somos os filhos pródigos desse caos moderno.
 

saci urbano São Bernardo do campo, AV. Getúlio Vargas-b
E o “Saci Urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.

Este é o Saci Urbano! 

 

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