O mundo tem que acabar logo!

 

Para nascer um mundo novo – pós, novo mundo.

Para curar a doença da humanidade;

Para purificar o ar e limpar toda essa atmosfera poluída.

Poluída de perfume francês, de vapor de picanha e dos flatos – odor “tuttifrutti”.

O mundo tem que acabar logo, visse!

Porque não há mais concerto pra essa gambiarra

 – Que gambiarra de progresso vertical é essa?

Construída pelos engenheiros e operários ordinários

Que cotidianamente preparam massa cinza.

Subordinada a velar a morte do organismo vivo

 – A Terra. Oh terra.

Há uma era capital.

Jaz o meio de vida natural.

O mundo tem que acabar logo, oxente!

Para nascer uma nova gente,

Uma gente mais animal duque racional.

Porque o animal se respeita

E o homem se despeita.

O mundo tem que acabar logo, jão!

Porque não adianta fugir pro campo

Nem pras matas, nem pro cerrado.

Nem pro deserto e nem pra lua.

Porque enquanto existirem satélites, rádios,

Antenas, microondas e cabos de internet,

O ser humano, por mais desenvolvido que seja,

Irá reproduzir o espetáculo da mentira do primeiro mundo.

O mundo tem que acabar logo, sô!

Para que haja a necessária revolução,

A sua própria revolução, homem.

Só assim serás digno de evolução.

Cria-se então um novo-mundo-novo.

Moto perpétuo.

É O… em Terras estrangeiras

Pronto!

Era só uma das coisas que faltava, o  Saci Urbano fazer suas aparições em países estrangeiros. “Eita lasqueira”!…

Foto em Paris -por Eric Marechal

 

Ta lá…Fazendo suas peraltices em Paris, na França. E um pouco mais perto da nossa América, em Cuba, lá naquela ilha independente, terra marcada por muitos “heróis que foram e que continuam sendo de verdade”.

Foto em Cuba - por Eric Marechal

 

…Saudações Sacizistas, povo estrangeiro…

 O que acontece é o seguinte,  apenas o Saci urbano foi viajar pelo mundo, enquanto, eu, seu fiel marcador de aparições, fiquei por aqui mesmo, tomando conta de pautar novas aparições em terra nacional.

Isso logo já faz lembrar de outros causos de sacis (rurais e florestais), que se transportam de certos lugares a outros em forma de Redemoinho de vento.

É… Foi mais ou menos assim. Só que o nosso amigo que “pita de preto” pegou uma carona no projeto Arte de Rua sem Fronteiras do companheiro francês, Eric Marechal.

 Esse cara faz um trabalho sensacional. Leva pôster e lambe-lambes daqui do Brasil e cola em outros lugares do mundo, e traz trabalhos de artistas estrangeiros para colar aqui também.

Por onde ele passa deixa a arte de alguém. Isso, contatando com países de diferentes continentes – eita, como esse ser humano tem o p($)der de viajar em sua forma física -,  compartilhando e difundindo a arte de rua, nas ruas do mundo. Fazendo em muitas intervenções, o diálogo entre os trabalhos de diferentes e distantes artistas.

Portanto, o Saci Urbano, ligeiro que é, aproveitou essa ventania moderna para mostrar sua existência em outros cantos do mundo.

 E não para por aí, visse!… Logo ele fará aparições noutros lugares mais longínquos daqui, das terras dos Tupis, dos boitatás, dos botos e outros caiporas mais.

…Mais Registros Fotográficos de suas apaições lá fora>>>

 

foto Paris - Eric Marechal
foto Cuba - Eric Marechal

Faremos Sacis Urbanos daqui pra frente

As pessoas me perguntam se sou mesmo um Saci Urbano, até pela coincidência de usar uma boina de cor vermelha. E eu digo que posso ser sim um “saci-urbano”. Então logo elas me provocam –  mas você está com suas duas pernas e o saci, só tem uma!?

 

Aí eu respondo o seguinte:

 

 O Saci Urbano pode ser o cara que vai representar o negro e/ou pobre brasileiro que, além das suas dificuldades, consegue se virar quase sempre com suas duas pernas. Mas quando o Saci Urbano consegue fazer suas estripulias com uma perna só, sem o auxilio de muletas ou coisa parecida, ele será o exemplo do brasileiro excluído de seus direitos institucionais, enquanto “povo-parido-de-sua-pátria”; o mesmo pai de família que sustenta sua morada e seus cinco filhos com um financeiro que não ultrapassa os 80% de um salário mínimo por mês.

 

Este sim, é um pobre brasileiro, porém, é bem provável que em muitos momentos de sua vida, ele se fará sorrindo e se divertindo com sua maneira ignorante-passiva de ser, como qualquer outro cidadão “popularesco” de uma periferia construída pela elite branca, desde sempre, dominadora. E será justo naqueles momentos em que, talvez, você (indivíduo de classe média) se encontrará deprimido(a) por algum motivo fútil, mesmo com seus 4  salários mínimos por mês, ou daí pra mais, se entorpecendo com drogas químicas ilícitas, para conter o seu tédio de cidadão nobre, duma sociedade doente – até então, sem expectativa de cura.

 

O Sasçu é um cara esperto, ele aproveita bem o espaço.  Ou seja, não me precisa faltar uma perna, ou um braço para eu mostrar que mesmo parecendo impossível eu seja capaz de realizar [sonhos] com sucesso. Acho que isso vale como inspiração para todos nós, que estamos cada vez mais acomodados com o que nos dão – as sobras.

 

Nos faremos “sacis-urbanos” quando deixarmos para trás essa aceitação passiva da opressão hipodérmica do sistema explorador e excludente, no qual somos subordinados  a tal humilhação para garantir o sustento de amanhã. Ao invés de apenas reclamarmos, vamos a luta e fazer-acontecer alguma coisa de bom senso. Não custa muito, comecemos com um “bom dia” para nós mesmo, e depois, repassemos para o sujeito alheio, sem a intenção de cobrar qualquer retribuição pelo agrado solidário.

 

Saci 26