Jovens!

O jovem é de fato confuso.

Ele é relativo.

É ambicioso.

É instável.

É aculturado.

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O jovem é inteligente, porém, age como idiota.

É saudável, porém, vive adoecido.

Picha os muros para chamar a atenção e para chamar atenção.

O jovem perde tempo no trabalho para ganhar dinheiro.

Mas também ganha tempo trabalhando.

Ele também tem que trabalhar para criar os filhos e melhorar o seu espaço.

É necessário ele trabalhar para consumir por direito.

E às vezes precisa roubar para Ser e Ter também.

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O jovem estuda, mas é mal educado.

Ele é viciado no prazer.

É ingênuo, porém, age com perversidade.

O jovem está conectado:

Para dizer que de fato existe;

Para dar audiência;

Para obedecer às novas ordens;

Para seguir e ser seguido.

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O jovem não precisa ter cultura, porque ele é relativo.

É importante que ele ignore os fatos para continuar sendo jovem.

Conclusão: o jovem não sabe aproveitar a sua juventude.

São Luis do Paraitinga: a cidade do Saci

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sacizinho feito por uma criança

 Posso dizer que a pequena cidade de São Luis do Paraitinga (interior de São Paulo) é a “Terra dos Sacis”. Todas as pessoas que vão pra lá nas comemorações folclóricas expressam sua apreciação pelo negrinho perneta. Nunca ouvi tantas pessoas – em meio à roda de conversas – expressarem a palavra “Saci” a cada 10 minutos. As crianças de lá estão pré-destinadas a se tornarem os maiores músicos populares e/ou eruditos do país. Com certeza serão ótimos educadores também. A comunidade Caipira ainda preserva a verdadeira referência de sua pronuncia, que é o ser espirituoso, contador de causos e são pessoas ingenuamente sem maldade no coração. O lugar é lindo de viver. É bem provável que todo lugar “interiorano” do Vale do Paraíba seja assim também.

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 Foram três dias e noites de muita festa: boa música, boa comida e muita arte não faltaram naquela cidade Historicamente turística. Ótimas atividades recreativas para que as crianças e os adultos se aproximassem em seu universo familiar. Pude conhecer a Sede informal da SOSACI com seus integrantes assíduos à causa do resgate do folclore popular.
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Foto Vanessa Maria

O Saci Urbano fez sua contribuição com o painel repleto de sacizinhos, que contou com a participação e interatividade da comunidade que ali se fazia do Paraitinga. As incontáveis dezenas de sacis feitas pelas crianças realçou o painel que eu havia preparado para presentear São Luis. Ficou muito melhor do que eu esperava. Cada criança fez da sua maneira e entendimento, o saci que se faz em sua imaginação.

Confiram os momentos que Vanessa Maria pode registrar em fotografias:

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Faremos Sacis Urbanos daqui pra frente

As pessoas me perguntam se sou mesmo um Saci Urbano, até pela coincidência de usar uma boina de cor vermelha. E eu digo que posso ser sim um “saci-urbano”. Então logo elas me provocam –  mas você está com suas duas pernas e o saci, só tem uma!?

 

Aí eu respondo o seguinte:

 

 O Saci Urbano pode ser o cara que vai representar o negro e/ou pobre brasileiro que, além das suas dificuldades, consegue se virar quase sempre com suas duas pernas. Mas quando o Saci Urbano consegue fazer suas estripulias com uma perna só, sem o auxilio de muletas ou coisa parecida, ele será o exemplo do brasileiro excluído de seus direitos institucionais, enquanto “povo-parido-de-sua-pátria”; o mesmo pai de família que sustenta sua morada e seus cinco filhos com um financeiro que não ultrapassa os 80% de um salário mínimo por mês.

 

Este sim, é um pobre brasileiro, porém, é bem provável que em muitos momentos de sua vida, ele se fará sorrindo e se divertindo com sua maneira ignorante-passiva de ser, como qualquer outro cidadão “popularesco” de uma periferia construída pela elite branca, desde sempre, dominadora. E será justo naqueles momentos em que, talvez, você (indivíduo de classe média) se encontrará deprimido(a) por algum motivo fútil, mesmo com seus 4  salários mínimos por mês, ou daí pra mais, se entorpecendo com drogas químicas ilícitas, para conter o seu tédio de cidadão nobre, duma sociedade doente – até então, sem expectativa de cura.

 

O Sasçu é um cara esperto, ele aproveita bem o espaço.  Ou seja, não me precisa faltar uma perna, ou um braço para eu mostrar que mesmo parecendo impossível eu seja capaz de realizar [sonhos] com sucesso. Acho que isso vale como inspiração para todos nós, que estamos cada vez mais acomodados com o que nos dão – as sobras.

 

Nos faremos “sacis-urbanos” quando deixarmos para trás essa aceitação passiva da opressão hipodérmica do sistema explorador e excludente, no qual somos subordinados  a tal humilhação para garantir o sustento de amanhã. Ao invés de apenas reclamarmos, vamos a luta e fazer-acontecer alguma coisa de bom senso. Não custa muito, comecemos com um “bom dia” para nós mesmo, e depois, repassemos para o sujeito alheio, sem a intenção de cobrar qualquer retribuição pelo agrado solidário.

 

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