Não vai nevar no Natal

V E R Ã O   C O M   C A L O R   Q U E   A Q U I   N Ã O   V A I   N E V A R.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a presença de pinheiros em terra de embaúbas, não possui identidade cultural, digna da sua terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a ideia de papais noéus, renas e trenós, saírem de terras frias para se aquecerem em terras tropicais, sofrerá em depressão após decepção.

Verão com calor que a sociedade-capital atende pela cultura de massa, de natureza do consumismo, para o “bem viver” à sua maneira.

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Verão com calor que a sociedade-capital, por não manter uma identidade cultural de proveniência primitiva, religiosa, tradicional, ou ideológica, extrapola os limites do bom senso e da lógica natural das condições geográficas de uma grande terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital apenas age por estímulos comerciais e obedece ao movimento do consumo inconsciente, e a família dos homens-2000 se une para trocar produtos entre si.

Verão com calor que após o culto de natal haverá a ressaca.

Verão com calor que a neve virtual e imaginária de alguns dias atrás já não existe mais nessa terra-local.
Verão que é proibido nevar em terra tropical.

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Verão com calor que as classes da sociedade-capital se posicionaram,
cada qual em seu lugar, sob condição estabelecida pelo capitalismo vigente.

Verão com calor que a classe abastada da sociedade-capital ficará no usufruto exclusivo das reservas naturais dessa grande terra-mar-local.

Verão com calor que a classe dos trabalhadores da sociedade-capital ficará aglomerada aos mesmos locais acessíveis às suas condições econômicas.

Verão que no próximo verão não vai nevar nessa terra-local. Pelo menos não naturalmente.

 

Jovens!

O jovem é de fato confuso.

Ele é relativo.

É ambicioso.

É instável.

É aculturado.

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O jovem é inteligente, porém, age como idiota.

É saudável, porém, vive adoecido.

Picha os muros para chamar a atenção e para chamar atenção.

O jovem perde tempo no trabalho para ganhar dinheiro.

Mas também ganha tempo trabalhando.

Ele também tem que trabalhar para criar os filhos e melhorar o seu espaço.

É necessário ele trabalhar para consumir por direito.

E às vezes precisa roubar para Ser e Ter também.

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O jovem estuda, mas é mal educado.

Ele é viciado no prazer.

É ingênuo, porém, age com perversidade.

O jovem está conectado:

Para dizer que de fato existe;

Para dar audiência;

Para obedecer às novas ordens;

Para seguir e ser seguido.

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O jovem não precisa ter cultura, porque ele é relativo.

É importante que ele ignore os fatos para continuar sendo jovem.

Conclusão: o jovem não sabe aproveitar a sua juventude.

Soltem os sacis!

Em Botucatu…

O sotaque é de interior paulista, sô.

E lá fizeram festa do saci.

Dizem que existem criadouros de sacis na terra dos “bons ares” *.

Se antes  seus criadores os prendiam na garrafa,

Agora não mais.

Pois o Saciu exige a liberdade para todos os seres.

Porque é um pecado contra a natureza querer amansar um saci.

 

à frente, escultura de Pedro Cesar

As “pessoas avançadas” de lá

São como as “pessoas atrasadas” da capital

Que também não acreditam em  sacis.

Dizem que isso é pra quem não tem o que fazer – tipo: conversa pra boi dormir.

Mesmo assim…

Aquela pequena cidade (quase que rural)

Comemorou no ano de dois mil e onze

O décimo-primeiro FESTIVAL NACIONAL DO SACI.

 

Que seja para resgatar a cultura caipira, sô.

E por em prática o que ainda lhe resta de sertanejo – sem códigos de barra.

Pois, nesses lugares onde a terra está cheia de donos,

Ainda há de se escutar numa conversa de caboclos…

A letra (R) completar uma “vorta” inteira,

Sem ter que derrapar na da frente

E nem se arranhar na de trás.

.|.

botucatu é uma expressão da língua tupi-guarani que, em português, significa “bons ares”.*

 

Epitáfios

 
 

Um minuto de silêncio, por favor!

Pela morte da cidade.

A cidade agora é só jazigos espalhados,

Escondidos sob o véu do indivíduo

 Com epitáfios para as suas substâncias,

Embora falecidas.

Porque em meio ao caos

A cidade é cotidianamente sepultada. 

 

 
Marca/aparição censurada pelo poder público

Aqui Jaz

A consciência,

A paciência,

A dignidade,

O respeito,

O bom senso,

O direito,

O moral,

A morada,

O solidário,

A infância,

A criança,

O lúdico,

A tolerância,

O humano,

O natural,

A paz,

O amor,

A família,

O ar puro,

A tradição,

A amizade,

A liberdade.