Trafegando em Veículos “não-poluentes”

Sabia que o Saci Urbano também anda de bicicleta? E porque não?

O fato de ele ser perneta não justifica que seja incapaz de correr se equilibrando por duas rodas. Mas, até aí é fácil. O estranho é como ele pode pedalar com apenas uma perna?

Quem já saiu pra um rolê distante em cima de uma magrela e no meio do caminho o pedal calhou de se quebrar, ou mesmo que estivesse com a rosca espanada e não se firma mais no pé-de-vela. Daí é que o ciclista encontra uma solução e se torna um Saci pondo toda a força em apenas uma das pernas, na que tem o pedal funcionando normalmente, para que o pé-de-vela complete o movimento de 360º (graus) contínuo. Então o “cidadão-saci” prossegue o seu trajeto, e não passeio; porque essa pessoa que se faz de saci deveria estar no percurso a caminho do trabalho, pois se fosse apenas um passeio, sem ter pressa de chegar no horário, essa pessoa não se ajeitaria dessa forma, talvez ligasse para alguém acudi-lo, ou empurraria sua bicicleta até encontrar alguma ajuda; ou retornaria para casa.

Sendo um mero (operário), que depende desse tipo de veículo – não-poluente – para se locomover ao trabalho, no entanto a necessidade “fala mais alto” e o cara acha a forma mais simples, porém, não mais confortável, para seguir adiante e não chegar atrasado em seu emprego, pois o chefe e/ou encarregado, não ta nem aí, se o pneu da magrela furou, ou se este brasileiro sofreu algum tipo de acidente na rua, pois ainda não é em todo lugar que se encontram ciclovias para trafegar com veículos não-poluentes.

Detalhe: na aparição desse Saci Urbano em horário comercial só se via trabalhadores “esquisitos” – assim como eu – indo e vindo com suas bicicletas de modelos variados, muitas dessas compostas com peças de vários outros modelos, garantindo seu perfeito funcionamento para trafegar sobre a ciclovia e calçadas esburacadas.

É o Saci Urbano!

 Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci? 

Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griô brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, e agora, também será referente ao meio urbano,  por todos os sobreviventes dessa selva de pedras, na qual, aqui, a chamamos de “Urbanidade”. 

Saci urbano em SBC_01 

 Urbanidade”

 

O concreto no lugar da terra  
O prédio no lugar da árvore
O lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos 
Escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul 
Junto, o aglomerado de pessoas
Provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência 
Primeiro, pelos homens de colarinho
Segundo, pelos homens armados 
E depois, pelos homens ignorantes 
Todos, porém, inscientes do seu estado ordinário
Aprendizes do mau trato à vida.
Orgulhosos da própria insanidade
Felizes, por serem infelizes.
 
Isso tudo é a “Urbanidade”
Onde nos localizamos e constantemente reclamamos.
Mas enquanto a nossa juventude
Não abriremos mão dessa Urbanidade
Pois somos os filhos pródigos desse caos moderno.
 

saci urbano São Bernardo do campo, AV. Getúlio Vargas-b
E o “Saci Urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.

Este é o Saci Urbano! 

 

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