Saci Urbano e Consumo

Tai uma pergunta: como o Saci Urbano está vivendo nas cidades metropolitanas sem dinheiro? Já que nas florestas os sacis, assim como os povos indigenas, os animais e muitos dos povos Ribeirinhos não precisam necessariamente de dinheiro para sobreviver.

 Bom… Na mata existe a caça e a plantação. Na cidade existe o consumo capitalista (com dinheiro) e o consumo arriscado, o furto (sem dinheiro) para que as pessoas consigam o sustento para se alimentar.

 Hoje na cidade, para se ter dinheiro é preciso ter um emprego; para se ter um emprego é preciso estudar; para poder estudar é preciso se alimentar; para poder se alimentar é preciso ter dinheiro, epa! E quem não tem dinheiro? E se o pai de família não tiver dinheiro?

Hahhh… Então ele pode plantar, né!? Mas se ele não tiver terra na cidade? Já que na cidade as terras são demarcadas por muros e amplamente divididas por homens que teem dinheiro e que, uma vez demarcado por seus proprietários, esses pequenos pedaços de terras ganham o nome de terrenos.

 Ou seja: a criança que não pode estudar porque não consegue se alimentar, por o seu pai não ter dinheiro porque não tem um emprego e nem um terreno, e por fim, serem miseravelmente excluídos, restará então a opção do consumo arriscado. Ou assumir a dignidade e sair catando comida pelas lixeiras como os cachorros e os gatos vira-latas que vivem na sombra da luz.

 

O Saci Urbano não se dá muito bem com o dinheiro, ele acha que essa “espécie” é muito sujo. Mas eu sei que ele também não rouba. Então como ele consegue viver fazendo suas aparições inquietantes nessas cidades tão consumistas? Será que ele ainda faz aquelas velhas e boas peripécias de aparecer de repente em plantações de agro negócio e consumir o alimento direto da terra?

 Hahhh, eu duvido! Ligeiramente esperto que é, já sabendo que estes alimentos de agro negócio estão se desenvolvendo a base de venenos, ele deve é procurar pequenos terrenos esquecidos há anos pelo proprietário, onde em tempos e tempos a passarada faz nascer árvores de frutos, para estas e outras espécies brasileiras, assim como, Sacis Urbanos, cultivarem o fruto ainda que puro: livres de impostos e agrotóxicos.

É o Saci Urbano à Carioca

Quem chegar no Rio de Busão, vai conferir ao lado da Rodoviária Novo Rio

Nessa semana o Saci Urbano fez suas aparições no Rio de Janeiro, na famosa “cidade maravilhosa”.

 Em tempos de carnaval, ele homenageou o samba após sentir o ar ritimista que os cariocas respiram ali. Marcou presença lá no alto dos Arcos da Lapa para que os turistas de outras cidades do Brasil e também os gringos, que se divertem embarcados no bondinho que passa sobre alguns metros do solo, pudessem conhecer e se lembrar de sua existência.

Conferiu a grande quantidade de viadutos que atravessam àquela cidade em meio a enorme quantidade de veículos poluentes que por ali trafegam a todo o momento, sob – e/ou sobre – mais um asfalto ordinário de uma grande selva de pedra litorânea.

 O Perneta viajante reparou que a cidade é bonita sim, porém, compreendeu a situação de abandono da região central, com sua vasta herança histórica, cujos prédios e monumentos antigos tomam conta da paisagem urbana entrante conflito entre as ruínas e as novidades arquitetônicas deste novo milênio, como há em todos os grandes centros das grandes capitais.

  Este Saci, mesmo que ainda esteja se adaptando ao ambiente urbano, por inteligência da sua natureza, observou a cidade e chegou à conclusão de que o centro, uma vez construído pelos colonizadores que em sua época tinham a total atenção das autoridades –  por ser uma esplendida construção que simbolizava o avanço da humanidade.

 Mas como tudo fica para fazer a “História”, que servirá de subsídio intelectual para a nova geração de seres humanos que a partir de livros escritos pelos “bbbs” (brancos-burocratas -burgueses) – não necessariamente nesta mesma ordem – , haverão novas construções de novos centros urbanos ao redor-e, aos redores dos antigos centros,  agora “históricos”.

 Então seguindo essa mesma ambição, que faz de uma moderna necessidade humana, marcar o tempo construindo o que serão no futuro, novas ruínas, até não se ter mais lugar geográfico para novas construções.

Talvez seja por isso que a imagem do consciente coletivo ilustra o futuro com prédios e automóveis flutuantes. Porque a “história” feita pelos homens brancos tomaram conta do solo, desrespeitando a t(T)erra, com constantes intervenções à natureza.

 De centro a centro a cidade fica desordenadamente ocupada. Daí vem o desequilíbrio. E cairão desses flutuantes somente aqueles que não tiverem o poder de consumo e outrora o poder tributário para continuar sua vida contemporaneamente ordinária.

em nota: O Saci Urbano não fez muitas intervenções na capital carioca, talvez,  por ter se assustado da forma com que a polícia expõe, da brecha entre o vidro e a janela do carro, o cano de suas enormes armas de fogo – ou é para intimidar os possíveis bandidos que ali estariam exercendo o direito de ir e vir, ou para fazer a propaganda de seus novos equipamentos para a aquisição dos traficantes.

Saci Urbano faz o que sempre faremos

A pedido do leitor, publico a imagem de mais uma aparição surpreendente do perneta que protagoniza a cena, com o próprio comentário deste caro leitor que aprecia as marcas da cidade.

por Allan Humberto:

Sou fã do saci urbano, realmente é um trabalho sensacional!!!
Gostaria de ver publicada a imagem do saci em um vaso sanitário com o dizer “isso é necessidade”, esse saci está localizado na avenida Alberto Soares Sampaio em Mauá próximo a ultragaz, e próximo as obras do rodoanel. Mais uma vez parabéns!!!

É o Saci Urbano!

 Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci? 

Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griô brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, e agora, também será referente ao meio urbano,  por todos os sobreviventes dessa selva de pedras, na qual, aqui, a chamamos de “Urbanidade”. 

Saci urbano em SBC_01 

 Urbanidade”

 

O concreto no lugar da terra  
O prédio no lugar da árvore
O lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos 
Escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul 
Junto, o aglomerado de pessoas
Provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência 
Primeiro, pelos homens de colarinho
Segundo, pelos homens armados 
E depois, pelos homens ignorantes 
Todos, porém, inscientes do seu estado ordinário
Aprendizes do mau trato à vida.
Orgulhosos da própria insanidade
Felizes, por serem infelizes.
 
Isso tudo é a “Urbanidade”
Onde nos localizamos e constantemente reclamamos.
Mas enquanto a nossa juventude
Não abriremos mão dessa Urbanidade
Pois somos os filhos pródigos desse caos moderno.
 

saci urbano São Bernardo do campo, AV. Getúlio Vargas-b
E o “Saci Urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.

Este é o Saci Urbano! 

 

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