Porque censuram o Saci Urbano?

Sintomaticamente apagam-se diversos graffiti com marcações de aparições do Saci Urbano pela Grande São Paulo e capital. Seja para a manutenção da palidez das cidades e/ou pior: para censurar os comentários visuais que a obra imprime nos muros.

A obra já foi apagada diversas vezes por causa de representação gráfica do cachimbo do saci, por causa da representação gráfica de figura monopé; por causa da cor (preto fosco) e até por fanatismo religioso ou ignorância cultural de pessoas reacionárias.

 

 

No entanto, a obra jamais havia sido apagada por questões políticas.

 

Ficou claro que um trabalho coberto com tinta dessa maneira é para calar o comentário visual da obra, seja para censurar o seu conteúdo, até então implícito na poesia da imagem. E o que é mais grave: é um atentado contra a liberdade de expressão.

 

 

 

 

Fragilidade

A sociedade-capital está frágil.

As instituições do Estado são frágeis porque permitem a dependência de recursos estrangeiros.

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Exercem a opressão sobre a classe trabalhadora, fragilizando-a ainda mais.

Mas todo o Estado fica frágil diante dos desejos da classe abastada.

A humanidade só é frágil diante da fome e da sede.

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O ser humano consumista de uma sociedade fragilizada é e sempre será frágil perante os estímulos da violência, da vaidade, da libido, da inveja e do pré-conceito; e sempre dará audiência para os seus ídolos, que são tão frágeis quanto.

Porém, em uma sociedade fragilizada, o ser humano forte erra quando demonstra resistência.

Pois a sociedade frágil irá chamá-lo de louco,

de antissocial e até de Saci Urbano.

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Um Estado fraco, em uma sociedade frágil, propõe – à força! – a presença da neve em terra tropical para aquecer a sua economia.

Essa sociedade frágil, porém racional, anuncia desejos de consumo no caminho do trabalhador;

Essa sociedade frágil, porém racional, compartilha os interesses externos no telejornal;

 Essa sociedade frágil, porém racional, se utiliza de métodos baratos para calar a arte do artista.

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A elite age impiedosamente na fragilidade animal da pessoa humana.

E, assim, se fortalece a fragilidade da sociedade contemporânea.

É frágil a ponto de ter como sentido de sua existência o excessivo consumo de bens materiais à custa de seres vivos; e também de serviços para obterem bens imateriais, editados e manufaturados por essa sociedade.

O fato é que tal fragilidade propõe a exclusão social de quem é resistente.

– Eu prometo!

Independentemente das brincadeiras desse saci – que são muito sérias, por final – deixemos impresso aqui: seja qual for o candidato eleito nas eleições municipais de 2012, o mais importante é que todas as pessoas, cidadãs ou não, tenham os seus direitos fundamentais assegurados e efetivos. Pois penso, sinceramente, que isso deveria ser prioridade para qualquer gestão de governo, e que assuntos como estes deveriam ser proibidos na comunicação das campanhas eleitorais.

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Quando eu for eleito um cidadão, prometo que…

– pedirei que o candidato da democracia me apresente o seu projeto de governo antes de me pedir o voto de confiança;

– analisarei com muita cautela todas as suas propostas e verei até onde elas são plausíveis com o tempo de trabalho determinado para o cargo público;

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Antes de qualquer decisão que eu venha tomar como cidadão, pensarei sete vezes nesse coletivo de pessoas associadas; claro que uns interagem com os outros, pois penso que todos esses cidadãos vivem numa só “aldeia” (a cidade), partilhando das mesmas avenidas, praças, escadas, águas e fios de energia.

Quando eu for eleito um cidadão, prometo que…

– Irei cobrar a realização das propostas escritas naquele projeto em que confiamos no período de “eleição”.

– Se esse candidato eleito não cumprir com as suas metas e faltar com respeito a todos nós, eu prometo que serei o primeiro de nós a solicitar a sua demissão.

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Mas isso só será real quando eu, o Saci Urbano, for eleito um cidadão, porque, por enquanto eu sou apenas esse ser “fantástico” que vive no imaginário das pessoas que tiveram uma infância sem mentiras – apenas com a verdade dos mitos de seus ancestrais.

Saci Urbano para Cidadão. Vote 777

Faltam poucos dias para as eleições deste ano de 2010, e o Saci Urbano logo viu a demanda de lixo visual nas calçadas e nas ilhas de muitas avenidas das cidades metropolitanas deste estado paulista de ser.

Conferiu o crime ambiental cometido pelos próprios candidatos a eleição –  uma vez que outros dessa mesma espécie criaram leis para punir os artistas de rua que deixam marcas visuais  bem mais interessantes que essa sujeira deslavada desses “puliticos” mal-feitores.

Olhando tudo isso, cheguei à conclusão de que o Saciu (Abreviação de Saci Urbano – sem se prender as normas da ABNT.) faria uma brincadeira com essa situação vergonhosa para o bom senso dos “cidadãos”. 

Foi então que apareceram algumas marcas de aparições com uma suposta campanha do Saciu para candidato a cidadão brasileiro.

Hahaha!… Mas é claro que o Saciu jamais quisera se tornar um cidadão deste país, pois assim ele estaria sentenciado a sua prisão de estado.

Estaria nas mãos do governo para ser mautratado de forma sutil e despercebido.

Teria que dançar conforme a “musica de câmaras” – se é que me entende!?… Não esbanjaria mais dessa liberdade natural que tem de aparecer “aqui-e-a-colá”.

Depois de muito tempo de pura ignorância por parte dos homens de poder é que o estado resolve adotar medidas de sustentabilidade – palavra tão recente propagada que escrevendo este texto me apareceu uma rasura de cor vermelha debaixo dela: “sem sugestões de ortografia”, e que eu também não achara no minidicionário da lingua portuguesa. Ou seja, se o progresso é este que primeiro destrói para depois construir e depois cria novas palavras que os “puliticos” e as empresas capitalistas acrescentam em seus discursos e propagandas fascistas, eu prefiro ficar no anti-progresso mesmo. Prefiro viver de forma simples e sentir a t[T]erra como sugere o nosso amigo desobediente dessas condições, o Saci Urbano.