Esse Saci

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Esse Saci surgiu de um brasil.

Do brasil deixado pelos exploradores que vieram atrás do pau vermelho.

Fizeram grande fogueira.

Deixaram a madeira queimando…

Escureceu. Virou brasa.  Virou carvão.  Virou carvão e brasa ao mesmo tempo.

E os tons de vermelhos – sob Lua -, incandesciam a grande mata verde.

Fechada. Desvirginada.

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Passado algum tempo, os paus incandescentes traziam consigo vozes do além.

Vozes e gemidos do sofrimento de uma gente. Gente pura, inocente, quase inconsciente.

De uma gente brincalhona – sem vergonha.

E de outra gente trazida de longe, tirada das entranhas de outra terra Mãe.

Gente terrestre, que viaja pelo cosmo em busca de sabedoria, para não lhe faltar a nobreza de ver, ler e compreender a legislação da natureza.

Gente que se mata e que se come. Que guerreia por crer no invisível..

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As cores desse Saci são as vermelhas, as pretas e as brancas.

Esse Saci é imaterial, porque aglutina os espíritos desses povos coloridos na leveza do vento.

Esse Saci manifesta seus espíritos ancestrais na forma visual de apenas um pé, para justapor o equilíbrio absoluto de diferentes gentes, gerando assim a sabedoria cósmica de que os homens-2000 tanto precisam – antes que se tornem máquinas por inteiro.

È O . . .

Não vai nevar no Natal

V E R Ã O   C O M   C A L O R   Q U E   A Q U I   N Ã O   V A I   N E V A R.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a presença de pinheiros em terra de embaúbas, não possui identidade cultural, digna da sua terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital, essa que espera a neve legitimar a ideia de papais noéus, renas e trenós, saírem de terras frias para se aquecerem em terras tropicais, sofrerá em depressão após decepção.

Verão com calor que a sociedade-capital atende pela cultura de massa, de natureza do consumismo, para o “bem viver” à sua maneira.

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Verão com calor que a sociedade-capital, por não manter uma identidade cultural de proveniência primitiva, religiosa, tradicional, ou ideológica, extrapola os limites do bom senso e da lógica natural das condições geográficas de uma grande terra-local.

Verão com calor que a sociedade-capital apenas age por estímulos comerciais e obedece ao movimento do consumo inconsciente, e a família dos homens-2000 se une para trocar produtos entre si.

Verão com calor que após o culto de natal haverá a ressaca.

Verão com calor que a neve virtual e imaginária de alguns dias atrás já não existe mais nessa terra-local.
Verão que é proibido nevar em terra tropical.

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Verão com calor que as classes da sociedade-capital se posicionaram,
cada qual em seu lugar, sob condição estabelecida pelo capitalismo vigente.

Verão com calor que a classe abastada da sociedade-capital ficará no usufruto exclusivo das reservas naturais dessa grande terra-mar-local.

Verão com calor que a classe dos trabalhadores da sociedade-capital ficará aglomerada aos mesmos locais acessíveis às suas condições econômicas.

Verão que no próximo verão não vai nevar nessa terra-local. Pelo menos não naturalmente.

 

Bodocada

Começou a temporada de bodoque aos tucanos híbridos de aves de rapina do Hemisfério Norte.

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O Saci Urbano tem ciência de que essa espécie de ave não se qualifica aos Tucanuçus nativos da Mata Atlântica, do pantanal e da Amazônia – mesmo assim, elas habitam no mesmo meio ambiente.

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Anteriormente, essa ave hibrida não habitava nas regiões em que se predominam o sertão e o Semiárido nordestino, porém mesmo sem as condições climáticas favoráveis, a sua população indica um crescimento significativo, e vem contribuindo para uma desestabilização do ecossistema territorial de todos os bichos do Hemisfério Sul do continente Americano.

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O mundo tem que acabar logo!

 

Para nascer um mundo novo – pós, novo mundo.

Para curar a doença da humanidade;

Para purificar o ar e limpar toda essa atmosfera poluída.

Poluída de perfume francês, de vapor de picanha e dos flatos – odor “tuttifrutti”.

O mundo tem que acabar logo, visse!

Porque não há mais concerto pra essa gambiarra

 – Que gambiarra de progresso vertical é essa?

Construída pelos engenheiros e operários ordinários

Que cotidianamente preparam massa cinza.

Subordinada a velar a morte do organismo vivo

 – A Terra. Oh terra.

Há uma era capital.

Jaz o meio de vida natural.

O mundo tem que acabar logo, oxente!

Para nascer uma nova gente,

Uma gente mais animal duque racional.

Porque o animal se respeita

E o homem se despeita.

O mundo tem que acabar logo, jão!

Porque não adianta fugir pro campo

Nem pras matas, nem pro cerrado.

Nem pro deserto e nem pra lua.

Porque enquanto existirem satélites, rádios,

Antenas, microondas e cabos de internet,

O ser humano, por mais desenvolvido que seja,

Irá reproduzir o espetáculo da mentira do primeiro mundo.

O mundo tem que acabar logo, sô!

Para que haja a necessária revolução,

A sua própria revolução, homem.

Só assim serás digno de evolução.

Cria-se então um novo-mundo-novo.

Moto perpétuo.

Epitáfios

 
 

Um minuto de silêncio, por favor!

Pela morte da cidade.

A cidade agora é só jazigos espalhados,

Escondidos sob o véu do indivíduo

 Com epitáfios para as suas substâncias,

Embora falecidas.

Porque em meio ao caos

A cidade é cotidianamente sepultada. 

 

 
Marca/aparição censurada pelo poder público

Aqui Jaz

A consciência,

A paciência,

A dignidade,

O respeito,

O bom senso,

O direito,

O moral,

A morada,

O solidário,

A infância,

A criança,

O lúdico,

A tolerância,

O humano,

O natural,

A paz,

O amor,

A família,

O ar puro,

A tradição,

A amizade,

A liberdade.