O mundo tem que acabar logo!

 

Para nascer um mundo novo – pós, novo mundo.

Para curar a doença da humanidade;

Para purificar o ar e limpar toda essa atmosfera poluída.

Poluída de perfume francês, de vapor de picanha e dos flatos – odor “tuttifrutti”.

O mundo tem que acabar logo, visse!

Porque não há mais concerto pra essa gambiarra

 – Que gambiarra de progresso vertical é essa?

Construída pelos engenheiros e operários ordinários

Que cotidianamente preparam massa cinza.

Subordinada a velar a morte do organismo vivo

 – A Terra. Oh terra.

Há uma era capital.

Jaz o meio de vida natural.

O mundo tem que acabar logo, oxente!

Para nascer uma nova gente,

Uma gente mais animal duque racional.

Porque o animal se respeita

E o homem se despeita.

O mundo tem que acabar logo, jão!

Porque não adianta fugir pro campo

Nem pras matas, nem pro cerrado.

Nem pro deserto e nem pra lua.

Porque enquanto existirem satélites, rádios,

Antenas, microondas e cabos de internet,

O ser humano, por mais desenvolvido que seja,

Irá reproduzir o espetáculo da mentira do primeiro mundo.

O mundo tem que acabar logo, sô!

Para que haja a necessária revolução,

A sua própria revolução, homem.

Só assim serás digno de evolução.

Cria-se então um novo-mundo-novo.

Moto perpétuo.

A “Cidade Limpa” é Cinza

Ao chegar a São Paulo o Saci Urbano talvez tenha percebido o forte e predominante cinza da cidade, e uma das suas novas travessuras é o fazer do Graffiti nas paredes cinza, que assim, representando muitos dos grafiteiros e artistas de rua, que lutam para ocuparem o seu espaço no mundo e aliviar a essa sensação de depressão do ambiente. Se não bastasse a falta do verde natural das árvores, nas quais absorvem uma boa parte da poluição cotidiana contemplada pelas centenas de indústrias e os milhares de carros que sopram, no que contribuem para as discussões sobre o assunto do momento: O Aquecimento Global.

Por isso o Saci Urbano vai representar fazendo mais um graffiti assim que o operário da prefeitura dessa cidade apaga os que já tinham ali, e acho que serve também como afirmação da efemeridade da arte de rua e resistência contra a agressão do bom senso.

saci na Brigadeiro com a 13 de maio,sp_01

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Este trabalho está localizado debaixo do Viaduto Armando Puglisi (Armandinho do Bexiga), entre a Brigadeiro Luis Antônio com a 13 de maio, no alto do Bexiga, sp.

 

Faremos Sacis Urbanos daqui pra frente

As pessoas me perguntam se sou mesmo um Saci Urbano, até pela coincidência de usar uma boina de cor vermelha. E eu digo que posso ser sim um “saci-urbano”. Então logo elas me provocam –  mas você está com suas duas pernas e o saci, só tem uma!?

 

Aí eu respondo o seguinte:

 

 O Saci Urbano pode ser o cara que vai representar o negro e/ou pobre brasileiro que, além das suas dificuldades, consegue se virar quase sempre com suas duas pernas. Mas quando o Saci Urbano consegue fazer suas estripulias com uma perna só, sem o auxilio de muletas ou coisa parecida, ele será o exemplo do brasileiro excluído de seus direitos institucionais, enquanto “povo-parido-de-sua-pátria”; o mesmo pai de família que sustenta sua morada e seus cinco filhos com um financeiro que não ultrapassa os 80% de um salário mínimo por mês.

 

Este sim, é um pobre brasileiro, porém, é bem provável que em muitos momentos de sua vida, ele se fará sorrindo e se divertindo com sua maneira ignorante-passiva de ser, como qualquer outro cidadão “popularesco” de uma periferia construída pela elite branca, desde sempre, dominadora. E será justo naqueles momentos em que, talvez, você (indivíduo de classe média) se encontrará deprimido(a) por algum motivo fútil, mesmo com seus 4  salários mínimos por mês, ou daí pra mais, se entorpecendo com drogas químicas ilícitas, para conter o seu tédio de cidadão nobre, duma sociedade doente – até então, sem expectativa de cura.

 

O Sasçu é um cara esperto, ele aproveita bem o espaço.  Ou seja, não me precisa faltar uma perna, ou um braço para eu mostrar que mesmo parecendo impossível eu seja capaz de realizar [sonhos] com sucesso. Acho que isso vale como inspiração para todos nós, que estamos cada vez mais acomodados com o que nos dão – as sobras.

 

Nos faremos “sacis-urbanos” quando deixarmos para trás essa aceitação passiva da opressão hipodérmica do sistema explorador e excludente, no qual somos subordinados  a tal humilhação para garantir o sustento de amanhã. Ao invés de apenas reclamarmos, vamos a luta e fazer-acontecer alguma coisa de bom senso. Não custa muito, comecemos com um “bom dia” para nós mesmo, e depois, repassemos para o sujeito alheio, sem a intenção de cobrar qualquer retribuição pelo agrado solidário.

 

Saci 26

 

É o Saci Urbano!

 Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci? 

Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griô brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, e agora, também será referente ao meio urbano,  por todos os sobreviventes dessa selva de pedras, na qual, aqui, a chamamos de “Urbanidade”. 

Saci urbano em SBC_01 

 Urbanidade”

 

O concreto no lugar da terra  
O prédio no lugar da árvore
O lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos 
Escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul 
Junto, o aglomerado de pessoas
Provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência 
Primeiro, pelos homens de colarinho
Segundo, pelos homens armados 
E depois, pelos homens ignorantes 
Todos, porém, inscientes do seu estado ordinário
Aprendizes do mau trato à vida.
Orgulhosos da própria insanidade
Felizes, por serem infelizes.
 
Isso tudo é a “Urbanidade”
Onde nos localizamos e constantemente reclamamos.
Mas enquanto a nossa juventude
Não abriremos mão dessa Urbanidade
Pois somos os filhos pródigos desse caos moderno.
 

saci urbano São Bernardo do campo, AV. Getúlio Vargas-b
E o “Saci Urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.

Este é o Saci Urbano! 

 

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